Adapte Seus Desejos à Realidade

"Seja isso bom ou ruim, a vida e a natureza são governadas por leis que não podemos mudar. Quanto mais cedo aceitarmos esse fato, mais tranquilos seremos. Seria tolice desejar que seus filhos, ou seu marido, ou sua mulher, vivam para sempre. Eles são mortais, assim como você, e a lei da mortalidade está completamente fora de nossas mãos.

Da mesma forma, é tolice desejar que um empregado, um parente ou um amigo não tenha defeitos. Isso é desejar controlar algo que indiscutivelmente foge ao seu controle.

Está dentro de nossa área de controle não sermos desapontados por nossos desejos se lidarmos com eles de acordo com os fatos em vez de nos deixarmos atropelar por eles.

Em última análise, somos controlados por aquilo que concede o que buscamos ou remove o que não queremos. Se é liberdade o que você procura, então não deseje e rejeite tudo que depende dos outros. Caso contrário, será sempre um escravo indefeso.

Procure compreender o que é realmente a liberdade e como ela é alcançada. A liberdade não é um direito ou a capacidade de fazer o que se quer. Ela vem da compreensão dos próprios limites e dos limites naturais estabelecidos pela providência divina. Ao aceitar os limites e as inevitabilidades da vida e ao trabalhar com eles em vez de lutar contra eles, nos tornamos livres. Se. por outro lado, sucumbimos a nossos desejos passageiros por coisas que não estão sob nosso controle, a liberdade está perdida".

Texto extraído do livro A ARTE DE VIVER, O MANUAL CLÁSSICO DA VIRTUDE, FELICIDADE E SABEDORIA,  de Epicteto, GMT Editores, páginas 41 e 42.

 

Desejo e expectativa alimentam a frustração.

Desejar que o outro não sofra é uma expectativa que já nasce frustrada, porque você nunca sabe como ele lida com a dor e com os eventos da vida.

O sofrimento é uma consequência da maneira como escolhemos lidar com a dor, com a esperança e com as nossas projeções sobre a vida e os outros.

Aquele que vive a vida sem expectativas e faz da esperança uma simples espera pelo melhor momento, que cultiva a fé como confiança, não sofre de frustrações.  

A vida sabe e nós somos aprendizes. Sua pedagogia se adapta à maneira da linguagem que nós entendemos - pode ser o amor ou a dor. Quando resistimos a nos resignar perante a vida e suas leis desejando ter o controle daquilo que não está na nossa alçada controlar, a vida manda dor, e o sofrimento é a sensação ruim de ter feito a pior escolha. Mas quando nos rendemos resignadamente à vida e suas leis, a sua pedagogia é suave e leve deixando uma sensação de felicidade.

Quando adoecemos ou nos ferimos a dor é inerente, mas o sofrimento é a mesma sensação frustrante de ter feito uma escolha equivocada, em algum momento, e que gerou desarmonia no organismo.

Se a dor é inevitável, o sofrimento é uma escolha. Nós podemos encarar a dor sem sofrer, tendo a percepção de que a dor está nos mostrando que fizemos uma escolha equivocada, aceitar o erro e refletir sobre os ensinamentos da vida e ajustar nosso senso de realidade de acordo com suas leis. Então a dor fica e o sofrimento desaparece.

Desejar o indesejável é aprisionar-se, por livre escolha, no castelo das ilusões.

Livre é aquele que se liberta dos desejos e aceita tudo como é e se adapta ao que a vida propõe.

Livre é aquele que se individualiza sem ser individualista.

Livre é aquele que sabe que a liberdade só existe como uma conquista interior.

Então, pacifique-se com a vida e aceite que ela sabe e que você é só um aprendiz. Assim você experimentará os primeiros vislumbres do que pode ser a felicidade; assim você se libertará da escravidão dos desejos e do sofrimento.

 

Para ter uma palestra sobre este tema, entre em contato.

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