A Evolução Humana

"Nossa ideia fundamental é a de que o homem, tal qual o conhecemos, não é um ser acabado. A natureza o desenvolve até certo ponto e logo o abandona, deixando-o prosseguir em seu desenvolvimento por seus próprios esforços e sua própria iniciativa, ou viver e morrer tal como nasceu, ou, ainda, degenerar e perder a capacidade de desenvolvimento.

No primeiro caso, a evolução do homem significará o desenvolvimento de certas qualidades e características interiores que habitualmente permanecem embrionárias e que não podem se desenvolver por si mesmas.

A experiência e a observação mostram que esse desenvolvimento só é possível em condições bem definidas, que exige esforços especiais por parte do próprio homem, e uma ajuda suficiente por parte daqueles que, antes dele, empreenderam um trabalho da mesma ordem e chegaram a um certo grau de desenvolvimento ou, pelo menos, a um certo conhecimento dos métodos.

Devemos partir da ideia de que sem esforços a evolução é impossível e de que, sem ajuda, é igualmente impossível.

Depois disso, devemos compreender que, no caminho do desenvolvimento, o homem deve tornar-se um ser diferente e devemos estudar e conceber de que modo e em que direção deve o homem converter-se num ser diferente, isto é, o que significa ser diferente.

Depois, devemos compreender que nem todos os homens podem desenvolver-se e tornar-se seres diferentes. A evolução é questão de esforços pessoais e, em relação à massa da humanidade, continua a ser exceção rara. Isso talvez possa parecer estranho, mas devemos dar-nos conta não só de que a evolução é rara, mas também que se torna cada vez mais rara."

Texto extraído do livro PSICOLOGIA DA EVOLUÇÃO POSSÍVEL AO HOMEM, P. D. Ouspensky, Ed. Pensamento, páginas 6 e 7

 

A evolução é o movimento progressivo que impulsiona as espécies aos patamares mais elevados de instinto, inteligência e consciência.

Nos reinos anteriores da natureza, o mineral, o vegetal e o animal, a evolução transcorre espontaneamente, inconsciente, seguindo a um determinismo supremo. Nos minerais a evolução é quase imperceptível; nos vegetais, observa-se uma evolução constante, sem variáveis dentro das espécies, exceto naquelas em que o homem interfere; nos animais a evolução ainda é inconsciente, segue o determinismo, mas já existe a possibilidade de ensaios do livre arbítrio em algumas espécies, especialmente nos animais que convivem com os humanos.

Mas esse livre arbítrio ainda é só uma habilidade de dar respostas mais sofisticadas que outros animais, aos estímulos dos humanos, e de obedecer ou não às suas ordens. Esses animais que convivem com os humanos revelam certo grau de desenvolvimento do instinto já ensaiando a inteligência. Há espécies outras, que não convivem com os humanos e que também se mostram em grau adiantado de desenvolvimento do instinto, dando demonstrações de ensaios da inteligência. No entanto, em todos os casos, por mais que o instinto se aproxime da inteligência ainda não há qualquer possibilidade de manifestação da razão.

Inteligência e razão são atributos dos humanos.

A evolução humana, no entanto, alcançou um patamar no qual depende de esforço e vontade, de inteligência e razão. Ela agora é consciente, muito embora isso pareça ser quase improvável diante dos comportamentos instintivos de muitos. Talvez da maioria.

Não há mais possibilidade de se transferir a responsabilidade, agora é uma questão de escolher evoluir, pela inteligência e razão, ou de esperar pelos estímulos da dor. O livre arbítrio foi incluído no plano da evolução humana. Ainda existe o determinismo superior, mas ele permite que cada um faça suas escolhas e experimente seus efeitos, para, pelo prazer ou pela dor, aprender que só pelo amor a evolução pode elevar a consciência à iluminação.

Evoluir é um plano do determinismo; todos terão que evoluir. Como evoluir é uma questão de bem ou mal exercer o livre arbítrio.

 

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